A CDU entende que na
“INFORMAÇÃO DO EXECUTIVO DA JUNTA DE FREGUESIA”
a referência à
reunião tida “sobre a exploração de Pedra” em vez de
dizer Claramente que se trata da "pedreira do Lugar da Póvoa", é uma
forma amena de camuflar a situação.
AS CHUVAS CAÍDAS NO
DIA 06-12-2009
Foram significativas
mas nunca ao nível de algumas de que temos memória.
Mesmo assim vieram
pôr a nu as deficiências que se referiram, servindo de alerta, quando se
analisou parte do estudo a que tivemos acesso na altura da construção,
especialmente em alguns dos locais sensíveis que sinalizámos.
Os redimensionamentos
apontados nas Medidas de Minimização mereceram de diversos cidadãos,
associações e entidades, fortes reparos que fizeram chegar aos
ministérios e empresa construtora, mas os resultados foram
praticamente nulos.
A CDU alertou,
aquando da construção deste ramal, para o aspecto ambiental, escoamento
das águas pluviais, protecção das minas, acessos a propriedades,
lençóis de água, etc.
Sem enumerar de uma
forma exaustiva as deficiências que a CDU detectou nesse dia,
mas focando apenas algumas situações que reflectem que as reclamações
produzidas eram correctas, lembramos:
- estragos ocorridos
nas margens das linhas de água da Real, Pernegos, Vales Retorta, etc
- danificadas as
soluções dadas à canalização de águas de minas.
- campos alagados com
culturas danificadas;
- Rua da Retorta com
buracos e sem trânsito.
- Caminhos paralelos
dentro da área de jurisdição da via pejados de infestantes, fora de
serviço;
- etc.
Antes da inauguração
da IC1 ou A28 e ligação à EN-13 em VPA realizaram-se
reuniões entre o Secretário de Estado, a Presidente da Câmara, e Órgãos
Autárquicos de Vila Praia de Âncora. O que se decidiu nunca se deu a
conhecer, nem à Comissão, nem aos representes dos diversos partidos,
nem à população.
Quem é que se
responsabilizará pelos prejuízos causados pelas cheias nas linhas de água e
caminhos paralelos, etc? só pode ser a construtora.
As reclamações
realizadas por esta Assembleia e o resultado dessa(s) reuniões atrás
referida estão à vista, foram nulos.
SOBRE O FECHO DA PASSAGEM PEDONAL NA TRAVESSA DO TEATRO (Parque Ramos
Pereira e a Rua 31 de Janeiro)
O Delegado da CDU
Domingos Vasconcelos pediu que se analisasse com atenção esse
protocolo, porque nesse também incluía o encerramento da passagem de nível na
R. Celestino Fernandes e ela não se concretizou.
Há questões de
segurança que é necessário salvaguardar e entendemos que se deveria encontrar
outra alternativa, mesmo a possibilidade de vir a permitir o trânsito
rodoviário.
QUANTO AO PLANO DE
ACTIVIDADES, DOMINGOS VASCONCELOS CONSIDEROU QUE:
- Uma área
significativa desta Vila continua esquecida neste Plano de Actividades.
- Parece que pelo já
disse que os responsáveis autárquicos não querem compreender que o
número de caminhos do monte são públicos e não de
servidão como alguém
quer fazer crer, pois esses nem constam como tal.
- A CDU tem propostas
que a serem postas em prática muita coisa poderia mudar para melhor
nesta Vila e no concelho em que 70% da sua área é de pinhal ou de monte.
intervenção na Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora
Dez2009
O que vou falar de seguida não se inspirou na Cimeira de Copenhaga sobre o clima.
Minhas senhoras e meus senhores delegados e público, a CDU traz a esta Assembleia uma fracção de um tema que verdadeiramente só é conhecido pelas piores razões e essas são os fogos florestais e, atrás deles, as incalculáveis perdas, inclusive humanas, que tal facto implica além daquelas de foro ambiental. Pendurados nesses é descoberta uma nova fonte de interesses, pois entendemos que os reais prejuízos para a saúde, para o meio ambiente, para a fauna, para a flora e para a real rentabilização dos montes exigem medidas concretas e eficazes.
Em nosso entender, as soluções que superiormente são tomadas no sentido de no período de Verão evitar e combater as devastadoras chamas à custa de grandes gastos em aluguer ou compra de meios aéreos (helicópteros e aviões), viaturas, equipamento diverso, produtos de extinção de incêndios, etc, não resolvem o problema dos fogos. Consideramos que são despesas avultadas que não passam de paliativos, pois as áreas florestadas têm vindo a reduzir significativamente.
Todos devemos saber, jovens e não tão jovens, que os fogos há umas décadas atrás não eram tão desbastadores nem eram “capa” dos meios de comunicação social nem movimentava esses meios atrás referenciados e nem eram os bombeiros voluntários ou municipais que até cerca de 1970 intervinham nessas tarefas de ataque a incêndios nos nossos montes.
As gerações mais novas não pensem que não havia fogos, mas quem os apagava eram as populações que se mobilizavam com rapidez e os enfrentavam.
Intervinham com celeridade, pois quem se apercebesse que havia fogo, avisava os vizinhos e alguém iria com rapidez tocar o sino grande da Igreja Matriz; diziam que “estava a tocar a rebate”. A partir desse momento proprietários de terrenos no monte e quem dele tirava benefícios pegavam em diversos utensílios de lavoura e deslocavam-se para o local onde esse ocorria.
Grande número desses incêndios eram controlados na linha da frente com meios artesanais e numa segunda linha era feita outra barreira nos caminhos e zonas adjacentes que com facilidade eram limpos e aí se poderiam defender.
Nesse período, nessas áreas de pinhal havia matos e estavam florestadas; eram importantes para lavradores que utilizavam esses espaços para múltiplos fins como a pastorícia, recolha de lenha, mato e caruma para currais de animais; havia locais para a apicultura, e as árvores como pinheiros e sobreiros cresciam em áreas significativas, etc. Os pinheiros eram resinados sendo mais uma fonte de receita
Os montes eram mantidos limpos e representavam uma fonte de receita com o abate de algumas árvores para madeira, assim como a resinagem dos pinheiros e a lenha aproveitava-se para cozinhar e aquecer-se, além de explorarem a água que era transportada para a agricultura e usos domésticos.
Podemos dizer que há umas décadas atrás o lavrador mantinha um equilíbrio na exploração dos montes em interligação equilibrada e harmoniosa com a actividade agrícola.
A CDU entende que essa conjugação de actividades que se desenvolviam entre o campo e os terrenos elevados, de uma forma ajustada, teria começado a deteriorar-se com o início da guerra colonial, com o aparecimento de grandes industrias no litoral, com a imigração, com o 25 de Abril, e acentuou-se com a entrada de Portugal na CEE.
Sabendo que a nossa zona é de minifúndio, pequenas áreas de cultivo, não seria muito rentável transformar a grande maioria das explorações agrícolas para culturas intensivas e altamente mecanizadas.
Os produtos agrícolas, que eram cultivados de uma forma natural e com o uso de adubos naturais, cultivos ecológicos, deixaram de ser praticados, pois tinham menor rentabilidade que aqueles cultivados e produzidos de uma forma artificial. Na actualidade muitos portugueses não conhecem os sabores reais da fruta, o cheiro das flores, o sabor da carne de diversos animais, e outros há que nunca viram ao vivo os animais que consomem na sua alimentação.
Será de referir que muitos agricultores foram aliciados para terminarem com determinadas actividades recebendo dinheiro para deixarem de produzir, não lhes sendo dadas orientações sobre o modo de trabalharem a terra noutras vertentes.
Na sua maioria os lavradores foram abandonados à sua sorte. O resultado destas práticas não se fez sentir somente no definhamento do cultivo dos campos.
Os montes, perante o abandono das actividades agrícolas, deixaram de ser utilizados e assim se produz o desequilíbrio ecológico destes dois meios - o agrícola e o florestal – tendo vindo este a ser pasto de grandes fogos.
As entidades oficiais não podem lavar as mãos e acusar os proprietários desses terrenos, pois foram elas as reais responsáveis na medida em que não deram qualquer orientação de reconversão aos agricultores, ou, como agora dizem, formação.
Criaram todas as condições para que as populações abandonassem as suas aldeias, especialmente as do interior.
Mas a irresponsabilidade não ficou por aí, pois também eliminam e reduzem significativamente os investimentos na vigilância e limpezas, especialmente de áreas povoadas, eliminando “couteiros, sapadores florestais, guardas florestais, cantoneiros, etc. Foi esse o exemplo de irresponsabilidade que o poder público foi dando.
No concelho temos dois pinhais estatais, o do Camarido e o da Gelfa, estando este abandonado.
Estas e outras áreas florestais, ainda nos dias de hoje, não só são dizimadas pelos fogos mas também pelos apetites vorazes de interesses, como é do conhecimento público e que passam ao lado das leis. São fenómenos que um progresso selvagem vem originando, acentuando, etc.
Delegados desta Assembleia, a CDU entende que quem nos vem gerindo e administrando não tem pensado em rentabilizar estes espaços que representam 70% da área do concelho de Caminha.
Área total
Áreaflorestal / %
Área
Nacional
92 255km2
33 000km2 – 35,8%
3% Estado/12%Baldios
Distrital
2 255km2
1 285km2-57%
Concelhio
130 km2
91km2~70%
Terra
30%
A Floresta em Portugal Continental
Espécies florestais
% Área florestal
Área (ha)
Pinheiro bravo
29,1
976.069
Pinheiro manso
2,3
77.650
Outras resinosas
0,8
27.358
Azinheira
13,8
461,577
Carvalhos
3,9
130.899
Castanheiro
1,2
40.579
Eucaliptos
20,1
672.149
Sobreiro
21,3
712.813
Outras folhosas
3,0
102.037
Total
100,0
3.349.327
Nestas últimas décadas quem nos tem governado não tem sabido dar vida ou rentabilizar a maior área deste concelho e 1/3 da área deste País.
Os anos correm, os fogos vão queimando maiores áreas e as espécies infestantes ocupam cada vez maior superfície.
Entendemos que, de entre as diversas etapas a pôr em prática, devemos começar pela limpeza, arranjo e redimensionamento dos caminhos do monte que são tão públicos como qualquer rua deste concelho.
No plano de actividades que hoje vamos analisar, a maior área de VPA continua a não merecer um mínimo de atenção – é esquecida.
Nos nossos montes esquecidos existe uma flora rica em carvalhos, sobreiros, pinheiros, amieiros, bétulas, castanheiros, oliveiras, etc, e arbustos como o tojo, urze, carrasco, carqueija, loureiro, medronheiro, loureiro, azevinho.
Existe ainda uma diversidade florística, sendo algumas espécies raras, algumas endémicas como o feto-real que se encontra junto aos ribeiros.
Não nos podemos esquecer que um ecossistema deste tipo não é só a flora, mas também são os microorganismos e a fauna diversificada, podendo ver-se as formigas, as abelhas, o javali, a raposa, o ouriço cacheiro, o coelho, o sapo, a libelinha, a louva a deus, a joaninha, o milhafre, etc.
Nunca é de mais salientar que as florestas têm um papel decisivo no equilíbrio ecológico do planeta e, por tal, na sobrevivência do ser humano.
Outros assuntos de interesse levados à Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora
Cemitério
Domingos Vasconcelos lembrou a iluminação colocada no perímetro de cemitério que se assemelha à dos campos de futebol de outros tempos. Este tipo de iluminação, referiu, não se adequa ao espaço, e defendeu a adopção de sistemas de iluminação alternativos, nomeadamente a utilização de luz indirecta.
Os contrastes verificados no aspecto do cemitério — “Na actualidade apresenta diversos contrastes tendo uma frente principal, muro, gradeamento e portão de entrada devidamente conservado e os restantes muros com um aspecto deficiente” — foram ainda objecto de referência, assim como a drenagem mereceu o alerta do eleito da CDU.
Colocação de Ecoponto
Nesta sessão da Assembleia de Freguesia foi sugerida, por Domingos Vasconcelos, a necessidade de se colocar um ecoponto pois a Norte da Igreja Matriz não existe nenhum e há uma área anexa à Rua João António Batista com espaço suficiente, necessitando apenas de ser pavimentado. Desta forma a CDU entende que promove a separação selectiva de lixos, concorrendo a consciência ambiental global
O
delegado da CDU na Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora ao comentar
o termo “ameno” escrito na “INFORMAÇÃO DO EXECUTIVO DA JUNTA DE FREGUESIA” ao
descrever que tinha havido uma reunião “sobre a exploração de Pedra” em vez de
dizerem sobre a pedreira aproveitou por falar sobre as chuvas caídas no dia
06-12-2009 dizendo que as chuvas caídas foram significativas mas nunca ao nível
de algumas de que temos memória.
Mesmo
assim vieram pôr a nu as deficiências que se referiram e alertaram quando se analisou
parte do estudo a que tivemos acesso e na altura da construção, especialmente
em alguns dos locais sensíveis que sinalizámos.
Os
redimensionamentos apontados nas Medidas de Minimização mereceram de diversos
cidadãos, associações e entidades fortes reparos que fizeram chegar aos
ministérios e empresa construtora, mas os resultados foram praticamente nulos.
A
CDU alertou, quando da construção deste ramal, para o aspecto ambiental,
escoamento das águas pluviais, protecção das minas, acessos a propriedades,
lençóis de água, etc.
Não
vou aqui enumerar de uma forma exaustiva as deficiências que a CDU detectou
nessa altura, mas focarei apenas algumas situações que reflectem que as
reclamações produzidas eram correctas, como:
-
estragos ocorridos nas margens das linhas de água da Real, Pernegos, Vales
Retorta, etc
-
danificadas as soluções dadas à canalização de águas de minas.
-
campos alagados com culturas danificadas;
-
Rua da Retorta com buracos e sem trânsito.
-
Caminhos paralelos dentro da área de jurisdição da via pejados de infestantes,
fora de serviço;
-
etc.
Concluiu
dizendo que antes da inauguração da IC1 ou A28 e ligação à EN-13 em VPA
realizaram-se reuniões entre Secretário de Estado, Presidente da Câmara, e
Órgãos Autárquicos de Vila Praia de Âncora. O que se decidiu nunca se deu a
conhecer nem aos representes dos diversos partidos nem à população.
As
reclamações realizadas por esta Assembleia e o resultado dessa(s) reuniões
atrás referida estão à vista, foram nulos.
CHUVAS CAÍDAS EM 06-12-2009
Dizer:
Vou apresentar este tema neste ponto da ordem de trabalhos em virtude do modo
suave como designam as Pedreiras da Póvoa de exploração de Pedra.
Neste
início de Dezembro, no passado dia 6, as chuvas caídas foram significativas mas
nunca ao nível de algumas de que temos memória.
Mesmo
assim vieram pôr a nu as deficiências que se referiram e alertaram quando se
analisou parte do estudo a que tivemos acesso e na altura da construção,
especialmente em alguns dos locais sensíveis que sinalizámos.
Os
redimensionamentos apontados nas Medidas de Minimização mereceram de diversos
cidadãos, associações e entidades fortes reparos que fizeram chegar aos
ministérios e empresa construtora, mas os resultados foram praticamente nulos.
A
CDU alertou, quando da construção deste ramal, para o aspecto ambiental,
escoamento das águas pluviais, protecção das minas, acessos a propriedades,
lençóis de água, etc.
Não
vou aqui enumerar de uma forma exaustiva as deficiências que a CDU detectou
nesse dia, mas focarei apenas algumas situações que reflectem que as
reclamações produzidas eram correctas, como:
-
estragos ocorridos nas margens das linhas de água da Real, Pernegos, Vales,
Retorta, etc
-
danificadas as soluções dadas à canalização de águas de minas.
-
campos alagados com culturas danificadas;
-
Rua da Retorta com buracos e sem trânsito.
-
Caminhos paralelos dentro da área de jurisdição da via pejados de infestantes,
fora de serviço;
-
etc.
UM ECOPONTO PARA A RUA
ANTÓNIO BATISTA
A Norte da Igreja matriz
não existe nenhum ecoponto.
Entendemos
que há um sítio que seria um espaço ideal para aí se posicionar um contentor
desse tipo.
Antes
haveria necessidade de se pavimentar uma área em terra batida anexa à Rua
António Baptista.
A
CDU entende que com estas intervenções contribuiremos para a reciclagem de
determinado tipo de lixo de modo a se reduzir o consumo de combustíveis
fósseis, abate de árvores, etc.
É
um processo de contribuir para uma Terra mais saudável.
CEMITÉRIO
Quanto
ao cemitério dissemos que é um local que a todos nós merece respeito e
meditação. Na actualidade apresenta diversos contrastes tendo uma frente
principal, muro, gradeamento e portão de entrada devidamente conservado e os
restantes muros com um aspecto deficiente.
Neste
ano de 2009 o perímetro deste cemitério foi iluminado por um tipo de iluminação
que nós designamos de tipo campo de futebol de à umas décadas atrás. É um sitio
que merecia uma iluminação de maior recolhimento tipo de luz indirecta.
Quanto
à drenagem foi alertada que deveriam existir alguns cuidados.
POSICIONAMENTO DE UM
ECOPONTO
Nesta
sessão da Assembleia de Freguesia foi sugerida a necessidade de se posicionar
um ecoponto pois a Norte da Igreja Matriz não existe nenhum e há uma área anexa
à Rua João António Batista com espaço suficiente necessitando apenas de ser
pavimentada.
A
CDU entende que com estas intervenções contribuiremos para a reciclagem de
determinado tipo de lixo que pode ser reaproveitado e assim estaremos a reduzir
o consumo de combustíveis fósseis, abate de árvores, etc.
É
um processo de contribuirmos para uma terra mais saudável.
QUANTO AO PLANO DE
ACTIVIDADES DISSE:
-
Uma área significativa desta Vila continua esquecida neste Plano de
Actividades.
Parece
que pelo que já disse que os responsáveis autárquicos não querem compreender
que o numero de caminhos do monte são públicos e não de servidão como alguém
quer fazer crer, pois esses nem constam como tal.
A
CDU tem propostas que a serem postas em prática muita coisa pode mudar para
desta Vila e do concelho em que 70% da sua área é de pinhal ou de monte.
O
que vou falar de seguida não se inspirou na Cimeira de Copenhaga sobre o clima.
Minhas
senhoras e meus senhores delegados e público, a CDU traz a esta Assembleia uma
fracção de um tema que verdadeiramente só é conhecido pelas piores razões e
essas são os fogos florestais e, atrás deles, as incalculáveis perdas,
inclusive humanas, que tal facto implica além daquelas de foro ambiental.
Pendurados nesses é descoberta uma nova fonte de interesses, pois entendemos
que os reais prejuízos para a saúde, para o meio ambiente, para a fauna, para a
flora e para a real rentabilização dos montes exigem medidas concretas e
eficazes.
Em
nosso entender, as soluções que superiormente são tomadas no sentido de no
período de Verão evitar e combater as devastadoras chamas à custa de grandes
gastos em aluguer ou compra de meios aéreos (helicópteros e aviões), viaturas,
equipamento diverso, produtos de extinção de incêndios, etc, não resolvem o
problema dos fogos. Consideramos que são despesas avultadas que não passam de
paliativos, pois as áreas florestadas têm vindo a reduzir significativamente.
Todos
devemos saber, jovens e não tão jovens, que os fogos há umas décadas atrás não
eram tão desbastadores nem eram “capa” dos meios de comunicação social nem movimentava
esses meios atrás referenciados e nem eram os bombeiros voluntários ou
municipais que até cerca de 1970 intervinham nessas tarefas de ataque a
incêndios nos nossos montes.
As
gerações mais novas não pensem que não havia fogos, mas quem os apagava eram as
populações que se mobilizavam com rapidez e os enfrentavam.
Intervinham
com celeridade, pois quem se apercebesse que havia fogo, avisava os vizinhos e
alguém iria com rapidez tocar o sino grande da Igreja Matriz; diziam que
“estava a tocar a rebate”. A partir desse momento proprietários de terrenos no
monte e quem dele tirava benefícios pegavam em diversos utensílios de lavoura e
deslocavam-se para o local onde esse ocorria.
Grande
número desses incêndios eram controlados na linha da frente com meios
artesanais e numa segunda linha era feita outra barreira nos caminhos e zonas
adjacentes que com facilidade eram limpos e aí se poderiam defender.
Nesse
período, nessas áreas de pinhal havia matos e estavam florestadas; eram
importantes para lavradores que utilizavam esses espaços para múltiplos fins
como a pastorícia, recolha de lenha, mato e caruma para currais de animais;
havia locais para a apicultura, e as árvores como pinheiros e sobreiros
cresciam em áreas significativas, etc. Os pinheiros eram resinados sendo mais
uma fonte de receita
Os
montes eram mantidos limpos e representavam uma fonte de receita com o abate de
algumas árvores para madeira, assim como a resinagem dos pinheiros e a lenha
aproveitava-se para cozinhar e aquecer-se, além de explorarem a água que era
transportada para a agricultura e usos domésticos.
Podemos
dizer que há umas décadas atrás o lavrador mantinha um equilíbrio na exploração
dos montes em interligação equilibrada e harmoniosa com a actividade agrícola.
A
CDU entende que essa conjugação de actividades que se desenvolviam entre o
campo e os terrenos elevados, de uma forma ajustada, teria começado a
deteriorar-se com o início da guerra colonial, com o aparecimento de grandes
industrias no litoral, com a imigração, com o 25 de Abril, e acentuou-se com a
entrada de Portugal na CEE.
Sabendo
que a nossa zona é de minifúndio, pequenas áreas de cultivo, não seria
muito rentável transformar a grande maioria das explorações agrícolas para
culturas intensivas e altamente mecanizadas.
Os
produtos agrícolas, que eram cultivados de uma forma natural e com o uso de
adubos naturais, cultivos ecológicos, deixaram de ser praticados, pois tinham
menor rentabilidade que aqueles cultivados e produzidos de uma forma
artificial. Na actualidade muitos portugueses não conhecem os sabores reais da
fruta, o cheiro das flores, o sabor da carne de diversos animais, e outros há
que nunca viram ao vivo os animais que consomem na sua alimentação.
Será de
referir que muitos agricultores foram aliciados para terminarem com
determinadas actividades recebendo dinheiro para deixarem de produzir, não lhes
sendo dadas orientações sobre o modo de trabalharem a terra noutras vertentes.
Na
sua maioria os lavradores foram abandonados à sua sorte. O resultado
destas práticas não se fez sentir somente no definhamento do cultivo dos
campos.
Os
montes, perante o abandono das actividades agrícolas, deixaram de ser
utilizados e assim se produz o desequilíbrio ecológico destes dois meios - o
agrícola e o florestal – tendo vindo este a ser pasto de grandes fogos.
As
entidades oficiais não podem lavar as mãos e acusar os proprietários desses
terrenos, pois foram elas as reais responsáveis na medida em que não deram
qualquer orientação de reconversão aos agricultores, ou, como agora dizem,
formação.
Criaram
todas as condições para que as populações abandonassem as suas aldeias,
especialmente as do interior.
Mas
a irresponsabilidade não ficou por aí, pois também eliminam e reduzem
significativamente os investimentos na vigilância e limpezas, especialmente de
áreas povoadas, eliminando “couteiros, sapadores florestais, guardas
florestais, cantoneiros, etc. Foi esse o exemplo de irresponsabilidade que o
poder público foi dando.
No
concelho temos dois pinhais estatais, o do Camarido e o da Gelfa, estando este
abandonado.
Estas
e outras áreas florestais, ainda nos dias de hoje, não só são dizimadas
pelos fogos mas também pelos apetites vorazes de interesses, como é do
conhecimento público e que passam ao lado das leis. São fenómenos que um
progresso selvagem vem originando, acentuando, etc.
Delegados
desta Assembleia, a CDU entende que quem nos vem gerindo e administrando não
tem pensado em rentabilizar estes espaços que representam 70% da área do
concelho de Caminha.
Área total
Áreaflorestal / %
Área
Nacional
92 255km2
33 000km2 – 35,8%
3% Estado/12%Baldios
Distrital
2 255km2
1 285km2-57%
Concelhio
130 km2
91km2~70%
Terra
30%
A Floresta
em Portugal Continental
Espécies florestais
% Área florestal
Área (ha)
Pinheiro
bravo
29,1
976.069
Pinheiro
manso
2,3
77.650
Outras
resinosas
0,8
27.358
Azinheira
13,8
461,577
Carvalhos
3,9
130.899
Castanheiro
1,2
40.579
Eucaliptos
20,1
672.149
Sobreiro
21,3
712.813
Outras
folhosas
3,0
102.037
Total
100,0
3.349.327
Nestas
últimas décadas quem nos tem governado não tem sabido dar vida ou rentabilizar
a maior área deste concelho e 1/3 da área deste País.
Os
anos correm, os fogos vão queimando maiores áreas e as espécies infestantes
ocupam cada vez maior superfície.
Entendemos
que, de entre as diversas etapas a pôr em prática, devemos começar pela
limpeza, arranjo e redimensionamento dos caminhos do monte que são tão públicos
como qualquer rua deste concelho.
No
plano de actividades que hoje vamos analisar, a maior área de VPA continua a
não merecer um mínimo de atenção – é esquecida.
Nos
nossos montes esquecidos existe uma flora rica em carvalhos, sobreiros,
pinheiros, amieiros, bétulas, castanheiros, oliveiras, etc, e arbustos como o
tojo, urze, carrasco, carqueija, loureiro, medronheiro, loureiro, azevinho.
Existe
ainda uma diversidade florística, sendo algumas espécies raras, algumas
endémicas como o feto-real que se encontra junto aos ribeiros.
Não
nos podemos esquecer que um ecossistema deste tipo não é só a
flora, mas também são os microorganismos e a fauna diversificada, podendo
ver-se as formigas, as abelhas, o javali, a raposa, o ouriço cacheiro, o
coelho, o sapo, a libelinha, a louva a deus, a joaninha, o milhafre, etc.
Nunca
é de mais salientar que as florestas têm um papel decisivo no equilíbrio
ecológico do planeta e, por tal, na sobrevivência do ser humano.